Para o sociólogo alemão
Max Weber, a sociedade ocidental passou por um processo de racionalização. Este
processo possibilitou uma nova visão de mundo, superando gradativamente as
explicações religiosas, substituindo-as por explicações racionais. A este fenômeno,
Weber chamou de desencantamento do mundo.
E o que significa “desencantamento” para este autor?: “É importante lembrar que
esse termo, nas obras do pensador alemão, não significa perda, carência. Sendo que
o termo desencantamento do mundo não é desencanto, como alguém que se desencanta
com outra pessoa, e não pode ser confundido com estado de espírito que possa se
encontrar desencantado, como uma espécie de desapontamento, desilusão”. (CARDOSO,
2014, p. 107) Desfeita esta noção
equivocada, desencantamento significa
a “desmagificação” do mundo: o afastamento das crenças tradicionais religiosas.
Nesse sentido, o encantamento, das explicações de mundo teológicas, é
substituído pela razão científica, ou seja, a racionalização do mundo.
sábado, 7 de maio de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Carta aos meus alunos do colégio Amazônia
O que me faz feliz ao partir?
A saudade que sentirei:
dos momentos em que corrigi as suas provas;
dos sorrisos, das aflições, uma parte minha fica convosco, e muito de vocês fica dentro de mim.
Sim, vale a pena viver!
E vocês me ajudaram a enxergar a vida de uma maneira melhor e mais alegre.
Sim, eu amo vocês!
Toda quinta-feira ainda acordarei com aquele sentimento maravilhoso de reencontra-los.
Assinado: professor Harley Cunha
sábado, 16 de abril de 2016
ENEM 2016 - INSCRIÇÕES EM MAIO
Inscrições Enem 2016 começam em maio! O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou na manhã desta quinta-feira (14) a data oficial do período de inscrição do Enem 2016 – Exame Nacional do Ensino Médio. Os registros deverão ser realizados entre as 10h do dia 09 de maio até as 23h59min do dia 20 do mesmo mês, levando em conta o horário oficial de Brasília/DF.
IDEOLOGIA
A IDEOLOGIA, SUAS ORIGENS E PERSPECTIVAS
A
ideia de cultura nasce da análise das sociedades antigas, mas o conceito de
ideologia é um produto essencialmente moderno, pois antes da Idade Moderna as
explicações da realidade eram dadas pelos mitos ou pelo pensamento religioso.
Uma
das primeiras ideias sobre ideologia foi expressa por Francis Bacon
(1561-1626), em seu livro Novum organum
(1620). Ele não utilizava o termo ideologia, mas, ao recomendar um estudo
baseado na observação, declarava que, até aquele momento, o entendimento da
verdade estava obscurecido por ídolos, ou seja, por ideias erradas e
irracionais.
O
termo Ideologia foi utilizado inicialmente pelo pensador francês Destutt de
Tracy (1754-1836), em seu livro Elementos
de ideologia (1801), no sentido de “ciência da gênese das ideias”. Tracy
procurou elaborar uma explicação para os fenômenos sensíveis que interferem na
formação das ideias, ou seja, a vontade, a razão, a percepção e a memória.
Um
segundo sentido de ideologia, o de “ideia falsa” ou “ilusão”, foi utilizado por
Napoleão Bonaparte num discurso perante o Conselho de Estado, em 1812. Napoleão
afirmou nesse discurso que seus adversários, que questionavam e perturbavam a
sua ação governamental, eram apenas metafísicos, pois o que pensavam não tinha
conexão com o que estava acontecendo na realidade, na história.
Auguste
Comte (1798-1857), em seu Curso de
filosofia positiva (1830-1842), retomou o sentido de ideologia utilizado
por Tracy – o de estudo da formação das ideias, partindo das sensações (relação
do corpo com o meio) – e acrescentando outro, o de conjunto de ideias de
determinada época.
Karl
Marx também não apresentou uma única definição de ideologia. No livro A ideologia alemã (1846), ele se referiu
a ideologia como um sistema elaborado de representações e de ideias que
correspondem a formas de consciência que os homens têm em determinada época.
Ele afirmou ainda que as ideias dominantes em qualquer época são sempre as de
quem domina a vida material e, portanto, a vida intelectual.
Marx
desenvolveu a concepção de que ideologia é a inversão da realidade, no sentido
de reflexo, como uma câmara fotográfica, em que a imagem aparece “invertida”.
Contrapondo-se a muitos autores que acreditavam que as ideias transformavam e
definiam a realidade, Marx afirmava que a existência social condicionava a
consciência dos indivíduos sobre a situação em que viviam. Assim, para Marx, as
ideologias não são meras ilusões e aparências – e muito menos fundamento da
história - , mas são uma realidade objetiva e atuante.
No
mesmo livro de Marx, pode-se encontrar a explicação de que a ideologia é
resultante da divisão entre trabalho manual e o intelectual. O trabalho
intelectual esteve nas mãos da classe dominante e, assim a medida que pôde
“emancipar-se” da realidade concreta em que foi produzido e se transformar em
teoria pura, pôde também transformar-se em teoria geral para todas as
sociedades, sem levar em conta a história de cada uma delas. Essa emancipação
das ideias é muito bem exemplificada por Marx. Ele se refere a um indivíduo que
afirmava que os homens só se afogavam porque estavam possuídos pela ideia de gravidade. Se abandonassem essa
ideia, estariam livres de qualquer afogamento. Marx não diz se esse homem foi
bem sucedido na luta contra a ilusão de gravidade nem se tentou testar sua
teoria.
Emile
Durkheim, ao discutir a questão da objetividade cientifica em seu livro As regras do método sociológico (1895),
afirma que, para ser o mais preciso possível, o cientista deve deixar de lado
todas as pré-noções, as noções
vulgares, as ideias antigas e pré-científicas e as ideias subjetivas. São essas
ideias que ele entende por ideologia, ou seja, o contrário de ciência.
Karl
Mannheim (1893-1947) talvez o sociólogo depois de Marx que mais tenha
influenciado a discussão sobre ideologia. No livro Ideologia e utopia (1929), ele conceitua duas formas de ideologia:
a particular e a total. A particular corresponde à ocultação da realidade,
incluindo mentiras conscientes e ocultamentos subconscientes e inconscientes, que
provocam enganos ou mesmo auto enganos. A ideologia total é a visão de mundo
(cosmovisão) de uma classe social ou de uma época. Nesse caso, não há
ocultamento ou engano, apenas a reprodução das ideias próprias de uma classe ou
ideias gerais que permeiam toda sociedade.
Para
Mannheim, as ideologias são sempre conservadoras, pois expressam o pensamento
das classes dominantes, que visam à estabilização da ordem. Em contraposição,
ele chama de utopia o que pensam as
classes oprimidas, que buscam a transformação.
Depois
de Mannheim, muitos outros pensadores estudaram e utilizaram o conceito de
Ideologia, mas todos eles tiveram como referência os autores que citamos.
por: Nelson Tomazi
quarta-feira, 13 de abril de 2016
CONCENTRAÇÃO DE RENDA
Só 2%
concentram metade da riqueza mundial, diz estudo
fonte: UFCG
Os 50% mais pobres da população respondem por
apenas 1% da riqueza do planeta, aponta órgão ligado às Nações Unidas; Brasil
possui 1,3% da riqueza e 2,8% da população mundial; quase um terço do
patrimônio dos 10% mais ricos está nos EUA.
A renda pessoal está distribuída de maneira tão desigual no mundo que os 2% mais ricos da população adulta detêm mais de 50% dos ativos mundiais, enquanto os 50% de pessoas mais pobres detêm apenas 1% da riqueza do planeta.
Os resultados de uma pesquisa divulgada ontem mostram que os países de renda média e com nível de crescimento elevado ainda precisam avançar muito antes de atingir patamar de prosperidade semelhante ao das nações mais ricas. Os adultos com patrimônio de mais de US$ 2.200 estão na metade superior da escala mundial de riqueza, enquanto aqueles que detêm patrimônio superior a US$ 61 mil constituem os 10% mais ricos da população mundial, de acordo com dados compilados pelo Instituto Mundial de Pesquisa Econômica do Desenvolvimento, parte da Universidade das Nações Unidas (Finlândia). Para integrar o 1% de adultos mais ricos do planeta, uma pessoa precisa deter patrimônio superior a US$ 500 mil, algo que 37 milhões de adultos conseguiram. A riqueza mundial está tão concentrada na mãos de tão poucas pessoas que, se a renda mundial fosse distribuída de maneira equitativa, cada pessoa disporia de ativos da ordem de US$ 20,5 mil. Quase 90% da riqueza do mundo está sob o controle de moradores da América do Norte, Europa e dos países de renda elevada na região Ásia-Pacífico, como o Japão e a Austrália. Embora a América do Norte abrigue apenas 6% da população adulta mundial, ela responde por 34% do patrimônio domiciliar total. Quase um terço (32,6%) da riqueza dos 10% mais ricos fica nos EUA. O Brasil possui 1,3% da riqueza mundial -abaixo, portanto, do que representa a sua população: 2,8%. Os 10% mais ricos do Brasil têm 1,5% do patrimônio dos 10% mais ricos do mundo. Quando a comparação é feita em relação aos 10% mais pobres, os brasileiros dessa faixa possuem 1,9% do patrimônio. A concentração de renda nos países varia de maneira considerável, com os 10% mais ricos detendo 70% da riqueza dos EUA, ante 61% na França, 56% no Reino Unido, 44% na Alemanha e 39% no Japão. De acordo com Anthony Shorrocks, diretor do instituto de pesquisa, o número de indivíduos com alto patrimônio em um país depende das dimensões da população, do patrimônio médio e do nível de desigualdade patrimonial. "A China não obteve posição forte entre os países mais ricos porque o patrimônio médio dos chineses é modesto e a distribuição da riqueza é equilibrada, sob os padrões internacionais." À medida que os países enriquecem, suas populações alteram a maneira pela qual detêm seu patrimônio, de acordo com o estudo. Nos países em desenvolvimento, os imóveis e as outras formas de propriedade física, especialmente terrenos e ativos agrícolas, são importantes, enquanto a poupança em forma monetária é mais comum nos países de renda média.
Apenas em determinados países desenvolvidos, tais como os Estados Unidos e o Reino Unido, onde os setores financeiros são avançados, existe um forte apetite por deter patrimônio em forma de ações e de outros instrumentos financeiros mais sofisticados. As dívidas também costumam ser mais baixas nos países pobres, porque são mais raras as instituições financeiras que permitam que o povo obtenha empréstimos. (Tradução de Paulo Migliacci)
A renda pessoal está distribuída de maneira tão desigual no mundo que os 2% mais ricos da população adulta detêm mais de 50% dos ativos mundiais, enquanto os 50% de pessoas mais pobres detêm apenas 1% da riqueza do planeta.
Os resultados de uma pesquisa divulgada ontem mostram que os países de renda média e com nível de crescimento elevado ainda precisam avançar muito antes de atingir patamar de prosperidade semelhante ao das nações mais ricas. Os adultos com patrimônio de mais de US$ 2.200 estão na metade superior da escala mundial de riqueza, enquanto aqueles que detêm patrimônio superior a US$ 61 mil constituem os 10% mais ricos da população mundial, de acordo com dados compilados pelo Instituto Mundial de Pesquisa Econômica do Desenvolvimento, parte da Universidade das Nações Unidas (Finlândia). Para integrar o 1% de adultos mais ricos do planeta, uma pessoa precisa deter patrimônio superior a US$ 500 mil, algo que 37 milhões de adultos conseguiram. A riqueza mundial está tão concentrada na mãos de tão poucas pessoas que, se a renda mundial fosse distribuída de maneira equitativa, cada pessoa disporia de ativos da ordem de US$ 20,5 mil. Quase 90% da riqueza do mundo está sob o controle de moradores da América do Norte, Europa e dos países de renda elevada na região Ásia-Pacífico, como o Japão e a Austrália. Embora a América do Norte abrigue apenas 6% da população adulta mundial, ela responde por 34% do patrimônio domiciliar total. Quase um terço (32,6%) da riqueza dos 10% mais ricos fica nos EUA. O Brasil possui 1,3% da riqueza mundial -abaixo, portanto, do que representa a sua população: 2,8%. Os 10% mais ricos do Brasil têm 1,5% do patrimônio dos 10% mais ricos do mundo. Quando a comparação é feita em relação aos 10% mais pobres, os brasileiros dessa faixa possuem 1,9% do patrimônio. A concentração de renda nos países varia de maneira considerável, com os 10% mais ricos detendo 70% da riqueza dos EUA, ante 61% na França, 56% no Reino Unido, 44% na Alemanha e 39% no Japão. De acordo com Anthony Shorrocks, diretor do instituto de pesquisa, o número de indivíduos com alto patrimônio em um país depende das dimensões da população, do patrimônio médio e do nível de desigualdade patrimonial. "A China não obteve posição forte entre os países mais ricos porque o patrimônio médio dos chineses é modesto e a distribuição da riqueza é equilibrada, sob os padrões internacionais." À medida que os países enriquecem, suas populações alteram a maneira pela qual detêm seu patrimônio, de acordo com o estudo. Nos países em desenvolvimento, os imóveis e as outras formas de propriedade física, especialmente terrenos e ativos agrícolas, são importantes, enquanto a poupança em forma monetária é mais comum nos países de renda média.
Apenas em determinados países desenvolvidos, tais como os Estados Unidos e o Reino Unido, onde os setores financeiros são avançados, existe um forte apetite por deter patrimônio em forma de ações e de outros instrumentos financeiros mais sofisticados. As dívidas também costumam ser mais baixas nos países pobres, porque são mais raras as instituições financeiras que permitam que o povo obtenha empréstimos. (Tradução de Paulo Migliacci)
quarta-feira, 16 de março de 2016
Desemprego
O termo desemprego alude à falta de trabalho. Um desempregado é um
indivíduo que faz parte da população ativa (que se encontra em idade de
trabalhar) e que anda à procura de emprego embora sem sucesso. Esta situação
traduz-se na impossibilidade de trabalhar e, isto, contra a vontade da pessoa.
Desemprego no século XX
Os índices de desemprego
apresentam uma flutuação considerável ao longo do século XX. Nos países do
ocidente, o auge do desemprego ocorreu no início da década de 1930, quando
cerca de 20% da força de trabalho estava desempregada na Grã-Bretanha. As
ideias do economista John Maynard Keynes tiveram uma forte influência sobre a
política pública na Europa e nos Estados Unidos durante o período do
pós-guerra. Keynes acreditava que o desemprego fosse resultado de um poder
aquisitivo insuficiente, de forma que não existe estímulo à produção e há a
necessidade de um número menor de trabalhadores. Os governos podem intervir a
fim de aumentar o nível de demanda em uma economia, levando à criação de outros
empregos. Muitos passaram a acreditar que que a administração da vida econômica
pelo Estado significaria que os altos índices de desemprego seriam coisa do
passado. O compromisso com o pleno emprego tornou-se parte da política do
governo em praticamente todas as sociedades ocidentais. Até a década de 1970,
essas políticas aparentemente tiveram sucesso, e o crescimento econômico se deu
de modo mais ou menos contínuo.
Globalização e desemprego
O aumento da concorrência internacional gerado pela Globalização obriga
as empresas a cortarem custos diminuindo os preços. Como os países mais ricos
possuem altos salários, as empresas procuram instalar suas fábricas em locais
que possuam mão-de-obra barata. Com isso há uma transferência de empregos dos
países mais ricos para os mais pobres.
Aliado a isso, a diminuição dos postos de trabalho em virtude dos avanços tecnológicos tem sido frequente nas últimas décadas. O chamado desemprego
estrutural, que é uma tendência em que são cortados vários postos de trabalho e uma
das principais causas é a automação de várias rotinas de trabalho, substituindo
a mão-de-obra do homem. As fábricas estão substituindo operários por robôs, os
bancos estão substituindo funcionários por caixas eletrônicos, os escritórios
informatizados já possuem sistemas que executam tarefas repetitivas e
demoradas, eliminando alguns funcionários.
Em
contrapartida, existe também a criação de novos pontos de trabalho, gerando
novas oportunidades de empregos, mas esses novos empregos exigem profissionais
com boa formação e com isso o desemprego continua nas camadas mais baixas.
Não só no
ramo industrial se vê o efeito da globalização no desemprego. O comércio também
está bastante atingido. As grandes empresas multinacionais chegam e
acabam com as empresas locais. O aumento de shoppings centers vem acabando com
o comércio de rua.
Atualidade
“Maior impacto do desemprego é sobre a
juventude”, alerta DIEESE.
São Paulo –
"As graves restrições ao crescimento econômico trouxeram a recessão e o
desemprego para o cotidiano dos trabalhadores, e principalmente, aos
jovens", afirma o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, em
entrevista hoje (25) à Rádio
Brasil Atual. "Em 2015, nós observamos na economia
brasileira o aumento do desemprego, e quando ele aumenta, a juventude é a mais
afetada, principalmente, quando o desemprego atinge o setor de serviço e
comércio, que recepciona boa parte dos jovens que chegam ao mercado de
trabalho", complementa.
Disponível
em:
http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2016/02/juventude-e-a-mais-afetada-com-o-desemprego-alerta-dieese-4576.html
Principais causas do desemprego e das condições precárias
de trabalho dos jovens:
·
Baixa
escolaridade, baixa qualificação e falta de experiência.· Dificuldade de conciliar estudo e trabalho.
· Falta de informação sobre postos e vagas no mercado de trabalho.
· Propensão maior a aceitar condições precárias de trabalho.
Fonte: IPEA
Exercício
01 – (ENEM/2015) No final do século XX e em razão dos avanços da
ciência, produziu-se um sistema presidido pelas técnicas da informação, que passaram
a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando ao novo
sistema uma presença planetária. Um mercado que utiliza esse sistema de
técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa.
SANTOS, M. Por uma outra
globalização. Rio de Janeiro: Record, 2008 (adaptado).
Uma consequência para o setor produtivo e outra
para o mundo do trabalho advindas das transformações citadas no texto estão
presentes, respectivamente, em:
a)
Eliminação das vantagens locacionais e ampliação da legislação laboral.
b)
Limitação dos fluxos logísticos e fortalecimento de associações sindicais.
c)
Diminuição dos investimentos industriais e desvalorização dos postos
qualificados.
d)
Concentração das áreas manufatureiras e redução da jornada semanal.
e) Automatização dos processos fabris e aumento
dos níveis de desemprego.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
O papel da sociologia para Bourdieu
"A sociologia talvez não merecesse uma hora de esforço se tivesse
por finalidade apenas descobrir os cordões que movem os indivíduos que ela
observa, se esquecesse que lida com os homens, mesmo quando estes, à maneira
das marionetes, jogam um jogo cujas regras ignoram, em suma, se ela não se
desse à tarefa de restituir a esses homens o sentido de suas ações.'
Pierre Bourdieu. O camponês e seu corpo
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, foi preciso ao apresentar a sociologia como uma disciplina libertadora. Sem tirar o mérito de Karl Marx, que desde a sociologia clássica já desmascarava as ilusões criadas pelas ideologias dominantes. Bourdieu conseguiu avançar no debate e apresentar o modo como a sociedade de classes se reproduz dentro do sistema capitalista de produção. Ele, ao desenvolver seu trabalho sobre o "Poder Simbólico", percebeu o papel da Educação como reprodutora das desigualdades sociais nas sociedades capitalistas contemporâneas. Deste modo, desvendou um dos principais grilhões* que mantêm as pessoas presas a sua situação de exploração na pirâmide social. Nesse sentido, o autor ressalta o papel da sociologia enquanto disciplina libertadora, uma das poucas capaz de restituir às pessoas o seu direito fundamental a cidadania.
Professor HARLEY CUNHA
*GRILHÕES: Corrente forte de metal que aprisiona.
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